quarta-feira, 26 de maio de 2021

Denúncia: cachorro é vítima de agressor de animais em Sertânia

 A nossa reportagem foi até a Rua Frei Damião nas proximidades da Vila da Cohab, para gravar uma denúncia de um morador sobre maus-tratos contra os animais.

Foto: Reprodução/ Eduardo Azevedo/ Mídia em Ação

Pretinho é um cachorro vira-lata que foi abandonado ainda pequeno, indefeso logo foi adotado pelos moradores da rua, pretinho é criado solto na rua e não é agressivo. Infelizmente a pouco mais de duas semanas ele vem sofrendo várias agressões de origens desconhecidas. O denunciante que pediu para não ser identificado, contou que ficou desesperado e decidiu recorrer ao blog para alertar a população sobre os maus-tratos registrados na localidade, infelizmente o agressor ainda não foi identificado.

Andando pela Vila da Cohab não é difícil ver cachorros e gatos soltos na rua, infelizmente eles estão expostos a maldade do ser humano.

Pena para quem maltrata cães e gatos

Foi sancionada a lei 14.064/20, que aumenta a pena de quem maltratar ou praticar abusos contra cães e gatos. A norma, determina que a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação a cães e gatos será punida com pena de reclusão, de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda.

Assista o vídeo


(Mídia em Ação)

Jovem de 26 anos morre eletrocutada após usar celular carregando

 Ela foi encontrada desacordada pela família e chegou a ser socorrida, mas não resistiu

Ela foi encontrada desacordada pela família e chegou a ser socorrida, mas não resistiu — Foto: Reprodução

A cabeleireira Márcia Soares da Silva, de 26 anos, morreu na manhã da segunda-feira (24) no município de Lagoa do Carro, na zona da mata de Pernambuco, após levar um choque. A suspeita é que a descarga elétrica tenha partido do celular dela, que estava sendo usado ligado na tomada no momento do incidente.

O irmão da jovem, o pedreiro Antônio Soares, informou a uma equipe de reportagem da TV Jornal que ela estava sozinha e falando ao celular, coisa que ela costumava fazer com frequência.

A Polícia Civil informou por meio de nota que irá aguardar o final das investigações para esclarecer a causa da morte e que a vítima foi encontrada já desacordada e recebeu socorro, mas não resistiu e morreu.

Com informações da TV Jornal

Empresa é condenada a pagar R$14 mil por fazer "paredão" para demissão

 Empresa foi condenada a pagar indenização por danos morais à funcionária que foi “eliminada” em 2019

Empresa foi condenada a pagar indenização por danos morais à funcionária que foi “eliminada” em 2019 — Foto: Reprodução/ Internet

Uma empresa de turismo do estado do Ceará foi condenada a pagar R$14 mil de indenização por danos morais a uma ex-funcionária após fazer um “paredão” para decidir qual colaborador seria desligado, no estilo Big Brother Brasil.

A empresa fez com que os funcionários não apenas votassem entre si, dizendo qual deles deveria sair, mas também os fez informar qual era a razão do voto.

A decisão a favor da indenização foi do juiz Ney Fraga Filho, da 16º vara do Trabalho de Fortaleza, e foi publicada no início do mês de maio. Na decisão, o juiz determina o pagamento por danos morais e de todas as verbas rescisórias.

A ação trabalhista foi movida em abril de 2020 contra as empresas Somos Case Gestão de Timeshare e Multipropriedade e MVC férias e empreendimentos turísticos e hotelaria por uma consultora de vendas que foi contratada em julho de 2019 e demitida pouco mais de mês depois.

A ex-funcionária ainda afirmou que estava sendo constrangida pelo superior hierárquico, sendo proibida até de fazer pausas para comer e ir ao banheiro. O processo está aberto a recursos.

Com informações do JC Online

Homem morre depois de ficar preso dentro de estátua de dinossauro

 Porta-voz da polícia acredita que morte foi acidental

Imagens da estrutura do estegossauro de machê após o achado do corpo — Foto: Divulgação/ YouTube/ El Periódico de Catalunya

Um homem de 40 anos morreu depois de ficar preso dentro de uma estátua de dinossauro em Santa Coloma de Gramanet, na Espanha. A informação foi divulgada nesta terça-feira (25) pela polícia.

De acordo com uma porta-voz da polícia catalã, ainda não se sabe o motivo de o homem ter entrado na estátua. Segundo a imprensa local, um homem e o seu filho estavam brincando no local quando descobriram o corpo dentro do dinossauro. A polícia foi acionada.

A porta-voz da polícia afirmou que tudo indica que ocorreu uma morte acidental e não há indício de criminalidade. Algumas fontes policiais indicaram hipóteses de que o homem entrou no dinossauro para dormir ou encontrar algum objeto dentro dele e teria ficado preso.

Uma das patas do dinossauro teve que ser retirada para que o corpo fosse retirado.

Reportagem


Com informações do G1

Após reunião com lideranças políticas de São João do Tigre e SS do Umbuzeiro, REALBUS confirma retorno de linha que atende região

Uma boa notícia para os caririzeiros usuários da empresa de ônibus  REAL BUS, e que há muito vinham sendo penalizados com os cortes de algumas linhas em virtude dos efeitos da pandemia.

A linha de Campina Grande à São Sebastião do Umbuzeiro, com saída da Rainha da Borborema na faixa das 16 horas, vai ser retomada a partir do próximo dia 01 de junho.

Inicialmente o destino será disponibilizado às sextas e sábados, mas de acordo com Wolgran, diretor da empresa, se houver um entendimento com os gestores de Zabelê, SS do Umbuzeiro e São João do Tigre, estes horários podem ser estendidos para mais dias da semana.

SÃO JOÃO DO TIGRE 

Participando da reunião, o Presidente da Câmara de São João do Tigre afirmou que a empresa pode contar com todo o apoio dos representantes do município para estender a rota até São João do Tigre.

Arnóbio Pereira, afirmou que o caso será discutido entre o legislativo e o executivo, mas que acredita que o prefeito Márcio se disponibilizará a dar total apoio à empresa, para que a rota possa atender também os tigrenses

Participaram da reunião o Prefeito de São Sebastião do Umbuzeiro Adriano Wolff que é presidente da AMCAP, o Presidente da Câmara de São João do Tigre, vereador Arnóbio Pereira, e os vereadores sãosebastianenses Jailson, Cícero Lira e Celinha.

(OPIPOCO)

Suspeitos de desviar R$ 200 mil em cargas no Nordeste são presos na Paraíba

Uma investigação da Polícia Civil da Paraíba desarticulou uma organização criminosa especializada em roubo de cargas em vários estados do Nordeste. Na noite dessa terça-feira (25), após três meses de investigação, uma operação conjunta da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a Delegacia de Homicídios de Patos, o setor de Inteligência da Polícia Civil e a Polícia Rodoviária Federal prendeu dois suspeitos em flagrante, em Patos, no Sertão da Paraíba.

De acordo com as investigações, os suspeitos viajavam para o estado do Ceará e se apresentavam como transportadores de cargas. Eles conseguiam contratos para levar carregamentos até o estado da Bahia, mas desviavam os produtos para a cidade do sertão paraibano, onde a mercadoria era subtraída. Em seguida, providenciavam o registro dos falsos roubos, sempre em outros estados.

Nessa terça, uma empresa vítima dos investigados registrou um Boletim de Ocorrência no estado do Ceará, informando que já tentou por várias vezes entrar em contato com o motorista contratado para transportar seus produtos, mas não obteve êxito. O nome do motorista informado pela empresa é um dos homens presos na operação da Draco.

Durante a prisão em flagrante, os policiais apreenderam toda a mercadoria desviada de uma das empresas. São cerca de duas toneladas de ferro, avaliadas em mais de R$ 200 mil. Um veículo de luxo também foi apreendido com um dos suspeitos presos. (OPIPOCO)

CAMPINA GRANDE: Gestão Bruno Cunha Lima maquiava números e usava leitos “virtuais”, denuncia site

A matemática da gestão dos leitos Covid-19 em Campina Grande impressiona pelo seu desequilíbrio de distribuição da demanda nos hospitais públicos e por pré-requisitos inflexíveis para internação em UTIs. Enquanto isso, os dados divulgados pelos boletins epidemiológicos diários pela Prefeitura passam a sensação de que o cenário é de estabilidade por conta da divulgação de leitos disponíveis e por um cálculo que usa leitos “virtuais”. Mesmo com toda essa disponibilidade, cinco pacientes foram transferidos para João Pessoa. Mas, afinal, aonde estão os leitos livres de Campina?

Primeiramente, vamos ao cenário atual. A Rainha da Borborema é a segunda cidade com mais casos confirmados de Covid-19, sendo 28.480 até esta terça-feira (25), e também o segundo município com mais mortes por coronavírus no estado, com 865 registros. Conforme a 25ª avaliação do Plano Novo Normal, do Governo do Estado, vigente desde 17 de maio, o município está classificado como bandeira laranja – que recomenda mobilidade restrita. Antes a cidade registrava bandeira amarela, um nível menor na classificação.

De 15 de abril a 24 de maio, foram 1.180 ocupações gerais em UTIs Covid. Em um levantamento feito pelo Paraíba Já, baseado nos dados do censo hospitalar da Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, a média é de 30 pessoas internadas em leitos de UTI adulto no Hospital Pedro I nos últimos 39 dias. Porém, há 60 leitos desta natureza instalados naquela unidade.

Desde o início da pandemia, o Hospital Pedro I funciona exclusivamente para atendimento de paciente com Covid-19. São 60 leitos de UTI Adulto, sendo 10 do tipo I e 50 do tipo II. Além disso, são 90 leitos de enfermaria. No entanto, a capacidade máxima é frequentemente atingida nos de enfermaria, o que não acontece na UTI.

No recorte temporal em que a reportagem teve acesso, a menor quantidade de leitos de UTI Covid no Pedro I foi no dia 26 de abril deste ano, com 16 ocupados e a maior ocorreu nos dias 5 e 7 de maio, com 40 ocupados. No dia em que houve a transferência de um paciente de Monteiro apto para internação em UTI pelo agravamento da doença e que deveria ter sido internado em alguma unidade hospitalar campinense, o Pedro I registrava 29 leitos ocupados. Mesmo assim, foi recusado. A reportagem procurou a Prefeitura de Campina Grande para questionar se todos os 60 leitos de UTI Adulto estariam aptos para atender a alta demanda da cidade e região, mas não obtivemos resposta.

De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (Cnes), sistema de informação do Ministério da Saúde, destes 60 leitos de UTI adulto no Pedro I, metade é habilitados pelo SUS. Isto é, recebem recursos federais para o funcionamento. Os demais 30 leitos são de responsabilidade do ente federativo, no caso, o município de Campina Grande. Pedimos confirmação do custeio de leitos de UTI com recursos municipais, mas até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Campina Grande não se pronunciou.

Dos 30 leitos de UTI adulto habilitados pelo SUS, 20 são os novos instalados durante o primeiro ano da pandemia, inclusive, última atualização da habilitação ocorrida em março deste ano; e outros 10 são os que já existiam e estão habilitados pelo SUS desde 2008.

Gastos com a pandemia em 2021

Em quatro meses neste ano, a Prefeitura de Campina Grande gastou aproximadamente R$ 1.357.389,00 no combate à pandemia, de acordo com os dados de pagamentos na Transparência Municipal, disponibilizados no site da edilidade. O que representa uma média de apenas R$ 339,3 mil por mês, na segunda maior cidade do estado e a segunda mais atingida pela pandemia.

É necessário uma breve explicação para melhor compreensão das informações a seguir. De acordo com o Tesouro Nacional, “empenho é o ato emanado de autoridade competente, que cria para o estado a obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição; a garantia de que existe o crédito necessário para a liquidação de um compromisso assumido; é o primeiro estágio da despesa pública”. A Controladoria-Geral da União (CGU) esclarece que “liquidação consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito e tem como objetivos: apurar a origem e o objeto do que se deve pagar; a importância exata a pagar; e a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação”. Já o pagamento, para o Tesouro Nacional, “é o último estágio da despesa pública. Caracteriza-se pela emissão do cheque ou ordem bancária em favor do credor”.

Nas despesas, chama atenção que a Prefeitura não realizou gastos com a pandemia em janeiro. Por sua vez, dos quatro meses investigados, fevereiro foi o que mais apresentou cifras, com R$ 1.127.341,72.

Gastos nos quatro primeiros meses de 2021, conforme Portal da Transparência da PMCG. Visualizado em 25 de maio de 2021 (Infográfico: Mabel Abreu/Paraíba Já)

Com relação aos gastos, a reportagem do Paraíba Já também questionou a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande sobre os investimentos na manutenção de leitos de UTI Covid no Hospital Pedro I. Mais uma vez não obtivemos resposta até a publicação desta reportagem.

Por outro lado, a gestão de Bruno Cunha Lima já recebeu mais de R$ 11 milhões do Governo Federal, somente em 2021, destinados especificamente para área da saúde. Os dados são do Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União (CGU). Em janeiro, a prefeitura campinense recebeu R$ 460 mil. Depois voltou a receber em março, quando embolsou R$ 4,7 milhões. No mês seguinte recebeu R$ 2,2 milhões. Já em maio, embolsou mais de R$ 4,3 milhões. Confira a distribuição percentual dos repasses abaixo.https://www.canva.com/design/DAEfjEe-4qE/view?embed

Pouca ocupação, muita sobrecarga para a rede

Mas vamos “começar do começo”. Campina Grande é referência para o atendimento da 2ª macrorregião, composta por mais de 60 cidades da região que não possuem unidades hospitalares de média e alta complexidade. O Plano Estadual de Contingência Covid-19 aponta que há 167 leitos de UTI para atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Destes, 4 são pediátricos, localizados no Hospital da Criança e do Adolescente. Os demais estão distribuídos no Pedro I (60), João XXIII (9), Isea (6), Trauma (5), Hospital das Clínicas (60) e o HU Alcides Carneiro (10).]

Curiosamente, o boletim epidemiológico gerado pela Prefeitura de Campina Grande contabilizava os leitos privados dos hospitais Santa Clara e Antônio Targino. Existem UTIs neles, só não são acessíveis para a população dependente do SUS.

Com igual capacidade de tratamento intensivo do Pedro I, o Hospital das Clínicas, gerido pela Secretaria de Estado Saúde, vive uma outra realidade da pandemia. De 15 de abril a 24 de maio, a média de UTIs ocupadas foi de 57, sendo, ao todo, 2.238 ocupações gerais em leitos de UTI. No dia em que o Pedro I registrou a menor ocupação de UTIs (16), o das Clínicas registrava 50 leitos em uso. Três vezes mais que o hospital municipal.

Neste maio, o Clínicas passou quatro dias consecutivos com 100% de ocupação. Foi no dia 24 de abril em que registrou menor índice: 48 UTIs em uso. Em porcentagem, equivale a 80% da lotação.

O contraste dramático entre as duas unidades pode ser visto no infográfico abaixo.

A justificativa da gestão do prefeito Bruno Cunha Lima (PSD) é de que o Hospital Pedro I funciona com critérios de internação em UTI diferenciados dos que são adotados pelos protocolos estaduais. Ainda há a argumentação para reserva técnica de leitos. Mas antes de falar sobre protocolos e reservas, vamos a outro capítulo da história.

CRM-PB: um caso à parte?

Quando a pandemia se tornou uma realidade inevitável para os paraibanos, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) se propôs a monitorar a ocupação de leitos no estado. Semanalmente, levantamentos e relatos de visitas técnicas e até mesmo fiscalizações são divulgados pela entidade.

Mas também há relatos de negação de atendimentos no Pedro I. Como aconteceu com os cinco pacientes da macrorregião de Campina Grande que não conseguiram ser internos e acabaram por ser transferidos para a capital.

Observando bem, o monitoramento feito pelo CRM-PB sobre a ocupação de leitos é feito assim como a reportagem fez: baseia-se em dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde. Carece de uma maior fiscalização in loco, até para verificação das condições de trabalho dos médicos diante da exaustiva rotina laboral ocasionada pelo crescimento dos casos.

Porém, quanto à informação de reserva de leitos de UTI no Pedro I, a entidade se posicionou contra. Até porque, parte da rede pública de saúde de Campina Grande registrou na última segunda-feira (24), por exemplo, 100% de ocupação de UTIs, como o Clínicas, Trauma e HU Alcides Carneiro.

Polêmica da reserva técnica: ter ou não ter?

Precisamos ter os seguintes dados memorizados: o Hospital Municipal Pedro I possui 60 leitos existentes de UTI e 90 de enfermarias, conforme registros no Cnes.

Mas o que é reserva técnica? São leitos de retaguarda, que ficam à disposição da unidade hospitalar para outros tipos de atendimentos – nesse caso, que não constam como regulação  do Estado para casos de Covid-19.

A direção da unidade hospitalar pediu os leitos sob o argumento de que também atendiam demandas do tipo “porta-aberta”, pacientes – inclusive infectados com coronavírus – que procuram espontaneamente o hospital para serem atendidos.

A reserva técnica do Pedro I então é composta por 10 leitos de UTI e 20 de enfermarias. Portanto, ficando com 50 leitos de UTI e 70 de enfermaria para uso contínuo. Os leitos de enfermaria, por possuírem uma rotatividade diária, são usados à exaustão, sem se preocupar com a reserva, como já relatou o diretor-geral do hospital, Tito Lívio, em diversas ocasiões, a última delas em entrevista a um programa de rádio local, na noite da segunda-feira (24).

O paciente da “porta-aberta” agora precisa ser regulado e informado ao Estado. Ficou pactuado entre a Secretaria de Estado da Sáude e Secretaria Municipal de Saúde, durante encontro promovido pelo Ministério Público da Paraíba, que a secretaria de Filipe Reul passará a informar à regulação os dados do paciente que ocupar um leito a partir de demanda espontânea. Portanto, é dever da SMS relatar, oficialmente, se um paciente foi atendido em pronto-atendimento e precisou usar o leito, teoricamente, da reserva técnica. A medida é necessária para que haja controle da utilização dos leitos.

A reportagem do Paraíba Já contatou a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande solicitando informações sobre quando essa reserva seria usada. Até a publicação desta reportagem a prefeitura não se manifestou.

Mudança de comportamento

Após a polêmica que se tornou o tema, com a recusa da internação em UTI de um paciente do município de Monteiro na sexta-feira (21), o direcionamento parece ter mudado no Hospital Pedro I. Ao menos teoricamente. Durante a reunião com o Ministério Público da Paraíba (MPPB), na segunda-feira (24), pela primeira vez, Tito Lívio, diretor da unidade hospitalar, admitiu que receberiam na UTI pacientes sem ser somente com a necessidade de intubação.

Publicamente também houve a mudança de direção com relação às internações em UTIs no Pedro I. “Leitos de UTI aceitamos todos, porque não chegamos nem perto da reserva técnica, por assim dizer. E não deixamos ninguém esperando. Esses pacientes [de Monteiro] não é porque o Pedro I ficou com vagas escondidas da população, e sim porque já estávamos com 105% de ocupação. Não ficou vaga escondida do paraibano, estamos  aceitando”, disse Tito Lívio. Vale lembrar que a lotação citada pelo diretor diz respeito à ocupação de enfermarias, não de UTIs. Além disso, mesmo sem estar perto da reserva técnica, o hospital negou a internação do paciente vindo do município de Monteiro.

De acordo com normativas da Secretaria de Estado da Saúde, é evitado o transbordo de paciente – quando ele é levado de uma macrorregião para outra. É público o entendimento de que a regulação tem relação de confiança com os entes [Municípios ou Estados], não há  força de polícia. Quando não há vagas numa unidade hospitalar, a única alternativa é levar o paciente para ainda mais longe de casa e encaminhá-lo para outra macrorregião.

O drible matemático e a maquiagem dos dados

Os números das ocupações de leitos de UTI adulto para Covid-19 estão totalmente atrelados à bandeira que o município vai receber no Plano Novo Normal, do Governo do Estado, que recomenda ações de enfrentamento à pandemia, como fechamento parcial ou total de estabelecimentos como bares, restaurantes e shoppings, além da abertura ou horário do comércio, funcionamento de órgãos, entre outro pontos.

Como já vimos, o Plano de Contingência da Covid-19 do Estado da Paraíba oferta 167 leitos de UTIs implantados na 2ª Macrorregião (Campina Grande). São 163 leitos, sem os infantis, que não entram nas métricas de ocupações, já que é um público minimamente atingido pela Covid-19.

No Hospital Pedro I são 60 leitos de UTI e 90 de enfermaria, sem a reserva técnica se tornam 50 leitos de UTI e 70 de enfermaria. No último boletim divulgado pela Prefeitura de Campina Grande, nesta segunda-feira (24), são divulgados 127 leitos ocupados no hospital. A Prefeitura de Campina Grande não divulga as porcentagens específicas de ocupações dos leitos de UTI e enfermarias no Pedro I, apenas número geral.

Boletim divulgado no dia 24 de maio (Foto: Reprodução/PMCG)

Com base nesse número geral, aliado ao entendimento público que eles usam os leitos de enfermaria à exaustão (90), mas resguardam a reserva técnica de UTIs que são 10 leitos (ficam 50 UTIs), temos então um número de 140 leitos totais (UTIs e enfermarias juntos) no Pedro I.

São 127 leitos ocupados de 140 disponíveis. O Hospital Pedro I então apresentou uma ocupação de 90,7% do total de leitos nesta segunda-feira (24). O que mostra que a unidade hospitalar campinense está à beira do colapso.

Em maio deste ano, por exemplo, o Pedro I nunca chegou a ter 50 leitos ocupados, que seria sua lotação total disponível e com margem da reserva técnica (10 leitos) ainda resguardada. O máximo de leitos ocupados foi 40, que aconteceu somente em dois dias (5 e 7 de maio). No quinto mês do ano, a média de ocupação foi de 31 leitos de UTI – dos quais, vale lembrar, 30 são mantidos com recursos do SUS. Teoricamente, a prefeitura então arcou com apenas um leito de UTI, não se sabe por quantos dias.

O cálculo divulgado pela prefeitura campinense e pelo prefeito Bruno Cunha Lima jamais utilizou a totalidade dos leitos disponíveis para internar os pacientes (50 leitos de UTI), mas sempre usa o número total disponível de 60 leitos (utilizando até a reserva técnica) para o cálculo da sua ocupação, o que deixa a média de ocupação baixa. A possível manobra é para passar uma sensação de controle da pandemia na cidade, elemento que, inclusive, foi alvo de reclamação do MPPB na reunião da segunda-feira.

E quem se interna numa UTI em Campina?

O dilema é grande. Não há consenso entre Município e Estado. A SES preconiza, baseado em evidências científicas, através do documento ‘Protocolo Clínico – Centro Estadual de Disseminação de Evidências em Saúde da Covid-19 da SES-PB‘, publicado em abril de 2020, com dados, recomendações, checklists, informações e sistema de ‘score’ (placar) para definir internações e procedimentos adotados no atendimento a pacientes com coronavírus na Paraíba.

“Existe realmente essa diferença entre os protocolos [do Município e do Estado]. No Pedro I enviamos para a UTI com alguns critérios que o Estado nem sempre acompanha. Conversei com ele [Daniel Beltrammi], e nos prontificamos a conversar com o chefe da regulação, para unificarmos isso sim e afinar ainda mais essa regulação”, afirmou Tito Lívio, em entrevista na segunda-feira (24).

O que diz o Protocolo Clínico para Covid-19 da Secretaria de Saúde da Paraíba? A SES se baseia em estudos internacionais, que utilizam o “National Early Warning Score“, em tradução livre “Escore [placar] para alerta precoce”, onde são avaliados cinco parâmetros fisiológicos, com cada um recebendo uma nota de 0 a 3 pontos. O escore será definido a partir da soma das pontuações atingidas na avaliação do sensório, temperatura, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, saturação periférica  e oxigênio e suplementação de oxigênio.

Hospital Pedro I é referência em tratamento para Covid-19 na 2ª macrorregião (Foto: Divulgação/PMCG)

A partir disso, a SES desenvolveu um modelo mais curto e simplificado para direcionar a decisão clínica e o tipo de manejo a ser indicado nos pacientes. O documento então aponta uma série de sintomas a serem identificados. Conforme o protocolo, o paciente é suspeito para Covid-19 quando houver a presença de dois ou mais sintomas, dos quais: febre (temperatura igual ou maior que 37,8 graus), tosse seca, dispneia (falta de ar), mialgia (dor muscular), coriza nasal e fadiga nos últimos sete dias. O próximo passo é fazer a classificação do paciente dentro do contexto de síndrome gripal, onde os profissionais de saúde avaliam componentes como apresentação severa de disfunções orgânicas na vigência da infecção por Covid-19, além de idade e comorbidades.

Após essa classificação do escore, a equipe de saúde será responsável pela graduação em risco de acordo com as avaliações anteriores. Risco alto: quando for igual ou maior que três pontos, sendo classificado como vermelho; neste caso, o paciente deverá ser encaminhado ao Centro de referência do Covid-19. Risco intermediário: quando a pontuação for dois, será de nível amarelo, a situação na qual o indivíduo deverá ser analisado pela unidade básica de Saúde, objetivando conciliação medicamentosa, e evitando descompensação clínica que possa, eventualmente, causar mais agravos ao paciente em exposição ambiental ao Covid-19; já os indivíduos com risco intermediário mas com frequência respiratória igual ou maior que 25 IRPM (incursões respiratórias por minuto) ou saturação periférica de oxigênio (oximetria) menor ou igual a 93%, deverão ser classificados como nível laranja, sendo necessário a sua avaliação clínica em Hospital de Pronto-Atendimento ou Unidade de Pronto-atendimento (UPA). Risco simples: o escore zero ou um é o paciente com nível verde, sem quaisquer necessidades de procura de atendimento médico/USF, apenas manter isolamento social; deve receber orientação para procurar hospital, sem sinais de alarme.

Pelos casos acompanhados, com acesso ao censo diário de pacientes, boletins de internação, investigação de casos e coleta de informações com fontes, os pacientes que se internavam na UTI do Hospital Pedro I eram majoritariamente apenas os que necessitavam de intubação invasiva.

Paraíba Já fez o pedido de esclarecimentos sobre os critérios para internação de pacientes no município, já que diferem das prerrogativas dos protocolos da Secretaria Estadual de Saúde (News Fast COVID-19). A Prefeitura de Campina Grande não quis comentar até a publicação desta reportagem.

Operação Abafa?

Pouco mais de um mês após visitar a cidade, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga retorna à Campina Grande para um novo encontro que acontece nesta sexta-feira (28).

Pela agenda divulgada, a missão do ministro de Jair Bolsonaro é justamente visitar os hospitais campinenses superlotados que atuam no combate à pandemia.

Na pauta também devem estar a vacinação contra a Covid-19, recursos para investimentos na área da saúde e outros temas relacionados ao enfrentamento à pandemia no estado.

Paraíba Já

Rejeição de contas de Luciano Cartaxo poderá tornar ex-prefeito de João Pessoa inelegível pelos próximos oito anos

A rejeição das contas da Prefeitura de João Pessoa referentes a 2019, poderá deixar o ex-prefeito da cidade, Luciano Cartaxo, inelegível por oito anos. As contas foram reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) na manhã desta quarta-feira (26).

O parecer do TCE-PB será enviado para votação na Câmara Municipal de João Pessoa e é lá que será decidido se Cartaxo ficará inelegível ou não.

Como o ex-prefeito já não tem uma maioria de apoiadores da Casa, a expectativa é de que os vereadores acatem a decisão do TCE-PB. Dessa forma, Luciano Cartaxo já não poderia concorrer nas próximas eleições, em 2022.

Para prevalecer, a decisão pela reprovação das contas e inelegibilidade do ex-prefeito precisa ser aprovada por pelo menos dois terços dos vereadores. Sem isso, o parecer do TCE-PB não é suficiente para tornar Cartaxo inelegível. Ainda não há data definida para a apreciação do parecer pela Câmara Municipal.

ClickPB

Fora de grupos de risco, lactantes evocam efeito ‘2 em 1’ para pedir prioridade em vacinação contra Covid

Com pouca vacina para muito braço, o lobby para ser incluído no grupo prioritário da imunização contra a Covid-19 agita uma turma que não quer saber de chorar pelo leite derramado.

A Lactantes pela Vacina, campanha promovida por mulheres que amamentam, sustenta que também essa parcela da sociedade merece receber a agulhada contra a Covid-19 primeiro. Nas últimas semanas, mães têm compartilhado fotos nutrindo seus bebês (“mamaço virtual”) para endossar a reivindicação.

O argumento central é uma possível imunização cruzada: numa estratégia “dois em um”, a mãe passaria os anticorpos desenvolvidos após o fármaco para o filho via leite materno. Assim, pelo preço de uma dose, vacina-se duas pessoas -potenciais vetores da doença, ainda que crianças tenham uma taxa de transmissão bem menor.

Essas mulheres também dizem que, assim, levam algum grau de proteção para bebês que não podem se vacinar nem usar máscaras -que oferecem riscos vários para os pequenos, como asfixia e morte por engasgo (eles não têm aptidão motora para remover a barreira facial se tiverem refluxo).

No rol de argumentos estão ainda: incentivo à amamentação prolongada; diminuir a chance de uma lactante que voltou ao trabalho presencial adoecer e contaminar o filho; encorajar mães a levarem seus filhos a pediatras, o que talvez não façam para não se expor ao vírus; reduzir o índice de morte materna.

Uma vitória o movimento já teve: na Bahia, qualquer mulher que amamenta a cria de até um ano tem passe livre nos postos de vacinação desde 13 de maio. Sem lastro no PNI (Programa Nacional de Imunizações), a decisão foi referendada pelo governo do estado.

Vozes contrárias apontam que a campanha esbarra numa premissa básica da fila preferencial de vacinação: enquanto grávidas e puérperas (mulheres até 45 dias de pós-parto) tendem a ter um quadro imunológico mais frágil, lactantes são como uma pessoa qualquer do ponto de vista clínico.

Ou seja, correm menos risco de desenvolver um quadro grave da doença se não tiverem nenhuma condição pré-existente. Morrem menos e ocupam menos leitos de UTI, portanto.

Em 2021, morreram por causa do coronavírus 307 bebês e crianças de até 5 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Já na faixa dos 20 a 39 anos, que costuma concentrar mais lactantes, foram 11.378 vítimas, somando homens e mulheres, as que amamentam ou não (a fatia feminina corresponde, em média, a 45% das mortes).

Agora vamos às vítimas entre 50 e 59 anos: 32.359. O número possivelmente engloba pessoas com comorbidade que até podem já ter se vacinado, mas sem tempo hábil para o imunizante surtir efeito.

A matemática é simples: se a vacinação chegar primeiro a uma mulher saudável e seu bebê, alguém tem que ficar para trás -como um cinquentão mais a perigo do que essa dupla.

Para críticos da campanha, é a história do “quando todo mundo é prioridade, ninguém é”: alguém mais frágil pode ser prejudicado se a demanda das lactantes for atendida.

Esta reportagem, feita por duas repórteres que amamentam, ouviu os dois lados do debate.
“Levando em conta que estamos vivendo há mais de um ano com bebês e crianças em casa, na grande maioria sem rede de apoio, lutar por um direito nosso é exaustivo. Ninguém está confortável na situação de cobrar das autoridades um direito que é garantido em lei”, diz a advogada Mariana Santana, 31, coorganizadora do movimento em São Paulo.

Ela se refere à lei 10.048 de 2000, que dá a lactantes direito ao atendimento prioritário -em bancos e supermercados, por exemplo- ao lado de nichos como gestantes, idosos e obesos.

A ordem para tomar a vacina segue outra lógica, a do risco, o que possibilita que um diabético ou hipertenso se imunize antes.

A meta, segundo Santana, é que as lactantes sejam inseridas no mesmo bloco de gestantes e puérperas. “Ninguém quer furar a fila da vacinação, muito pelo contrário. As evidências científicas já demonstram que vacinar lactantes é também proteger os lactentes.”

Paulo Noronha, obstetra que virou referência de parto humanizado em São Paulo, diz que há estudos comprovando a presença de anticorpos contra a Covid-19 no leite materno de pacientes vacinadas. “Outra coisa: gestantes, puérperas e lactantes têm risco maior de pegar a doença de forma grave”, acrescenta.

É uma ideia é repetida por mães que a Folha escutou. Não há, contudo, respaldo científico para afirmar que uma mulher está clinicamente mais vulnerável apenas por amamentar.

Questionado a respeito, Noronha se corrige e diz que não acha justo ejetar as lactantes da fila preferencial. “Se você vacina todas elas como prioridade, está imunizando outras pessoas e contribuindo para reduzir a circulação do vírus.”

A hipótese é forte, mas ainda não tem chancela científica definitiva. Pesquisa publicada pela revista médica Jama (Journal of the American Medical Association), feita com lactantes israelenses que tomaram a dose da Pfizer, mostrou que há anticorpos no leite materno, o que indica que pode haver proteção.

Mas os pesquisadores afirmam que o estudo possui limitações, uma vez que não foram conduzidos testes para saber se os anticorpos encontrados têm, de fato, efeito neutralizador.
Mariana Santana usa um texto da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) que recomenda imunizar lactantes para dar estofo à campanha.

O documento não defende a priorização das lactantes, apenas afirma que elas podem se vacinar, algo que no início era contraindicado, explica o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, Ricardo Kfouri. Não há qualquer orientação da SBP para que recebam sua picada antes de outros grupos.

“Não há nenhuma evidência que sugira que lactantes têm maior chance de desenvolverem formas mais graves do que outras mulheres da mesma faixa etária”, afirma Kfouri. “E bebês são proporcionalmente pouco afetados pela doença. Crianças com menos de seis anos são 0,3% dos óbitos. O problema é que temos um universo de 450 mil mortes.”

“A prioridade da vacina não é só pra quem morre mais”, escreveu Veronica Linder num perfil virtual. Influente ativista de amamentação, ela condensa numa frase uma linha de pensamento cara ao movimento.

Linder cita a defensora pública Charlene Borges, 37. Representante da causa na Bahia, ela lembrou de categoriais incluídas na cabeceira da imunização, como professores (“as escolas precisam funcionar”) e policiais (“princípio de gratidão”).

“As lactantes pleiteiam a construção de um critério sociopolítico, porque entendemos que deve o Estado reconhecer a necessidade de proteção da maternidade de maneira integral”, diz Borges à Folha. Mãe há oito meses, ela se vacinou no sábado (22).

Para a pediatra Mariele Rios, do perfil “Uma Mãe Pediatra”, o risco de morte não deve ser a única coisa levada em conta. “Quando uma mulher lactante é internada, uma criança pequena fica sem o alimento mais importante de sua vida, o que a priva de vários benefícios que impactam no futuro.”

Cristina de Branco, 30, antropóloga e mãe de Valentim, 8 meses, concorda que a variável socioeconômica precisa entrar na equação. “Meu exemplo é muito minoritário e sou consciente disso. Mulher branca, da classe média universitária, com possibilidades de trabalhar dentro de casa. E com um companheiro, né? Sabemos que o número de mães solteiras no Brasil é altíssimo.”

A campanha, portanto, seria sobretudo para o elo mais frágil dessa corrente materna. Num país onde se amamenta em média quatro meses, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda dois anos, são as mulheres ricas que, em geral, possuem condições de amamentar por mais tempo -se a campanha prosperar, elas seriam as maiores beneficiadas.

A diarista Rosana Pereira, 38, conta que parou de aleitar sua filha, hoje com 7 anos, aos dois meses de idade. “Chegava muito tarde do serviço, aí minha nenenzinha tomava leite Ninho mesmo, uma sobrinha dava. Meu peito acabou secando.”

Uma das casas onde ela faz faxina tem um bebê de quase dois anos. A patroa de Rosana é uma advogada que faz home office durante a crise sanitária. “Mesmo antes da pandemia, ela falava que pegaria um táxi pra amamentar a filha no horário de almoço quando voltasse da licença-maternidade.”

Folha