A Câmara Municipal de São Sebastião do Umbuzeiro atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. Sob a presidência de Sildete Pires, o Poder Legislativo está com as portas fechadas e os serviços paralisados desde o dia 14 de outubro. Para agravar ainda mais a situação, os vereadores também estão sem receber os salários referentes ao mês de outubro, apesar de os repasses do duodécimo por parte da Prefeitura terem sido realizados regularmente.
A presidente Sildete Pires atribui a situação a uma suposta falta de suplementação orçamentária por parte do Poder Executivo. Em sua justificativa, a Prefeitura estaria sufocando financeiramente o Legislativo ao não editar um decreto de suplementação para atender às necessidades da Câmara.
Diante do impasse, Sildete recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão liminar em primeira instância, na Comarca de Monteiro. Entretanto, a decisão foi posteriormente derrubada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), que suspendeu os efeitos da liminar.
Enquanto isso, segue em tramitação uma ação judicial que busca restabelecer o funcionamento dos serviços da Câmara Municipal, interrompidos por decisão da atual presidente. A população, por sua vez, permanece sem acesso regular aos serviços do Legislativo, em meio a uma crise que ultrapassou os limites de uma simples divergência administrativa.
CRISE ADMINISTRATIVA OU DISPUTA PELO PODER?
Nos bastidores da política municipal, a crise ganhou uma interpretação também política. Informações apuradas pela reportagem apontam que a decisão de paralisar as atividades da Câmara teria ocorrido em meio ao enfraquecimento da articulação de Sildete Pires para permanecer no comando da Casa.
Segundo relatos de interlocutores políticos do município, a presidente, que contava com apoio para renovar seu mandato à frente da Mesa Diretora, teria perdido o respaldo da maioria dos vereadores, justamente às vésperas da eleição que definirá a nova composição da direção do Legislativo.
A mudança no cenário político teria provocado um ambiente de tensão dentro da Câmara, com reflexos diretos no funcionamento da instituição.
O episódio levanta questionamentos importantes: por que uma disputa administrativa e política está resultando na paralisação dos serviços de um Poder que deveria estar à disposição da população? E até quando os cidadãos de São Sebastião do Umbuzeiro terão que conviver com uma Câmara de portas fechadas?
Enquanto a disputa segue nos tribunais e nos bastidores políticos, a população aguarda uma solução. O que não pode acontecer é o Legislativo municipal permanecer paralisado, deixando de cumprir suas funções institucionais e prejudicando os serviços destinados à comunidade. (Cariri Ligado)

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