A lista inclui empresas que, seja por causa da alta carga tributária, da burocracia, da letargia atual da economia brasileira ou por outros motivos, não conseguem investir no Brasil. De acordo com dados do Banco Central do Paraguai, os investimentos brasileiros no país somaram 403 milhões de dólares no triênio 2012-2014. Isso fez do Brasil o país com maior volume de investimento em terras paraguaias nesse período. Se considerados os investimentos em estoque, que incluem aportes feitos no passado, o Brasil aparece em segundo lugar, com 856 milhões de dólares no fim de 2014, atrás apenas dos Estados Unidos.
Entre os grandes empreendimentos que devem ser inaugurados nos próximos meses está um frigorífico da JBS, em construção no distrito de Concepción, no centro do país. O projeto, que conta com 800 trabalhadores na obra, teve investimentos de cerca de 60 milhões de dólares, com previsão de empregar 1 500 trabalhadores no início de suas atividades, no ano que vem. A lista inclui também a possível duplicação da capacidade de uma fábrica da Intercement, que tem como acionista a construtora brasileira Camargo Correa. O projeto teve investimentos de cerca de 150 milhões de dólares - o maior do Brasil feito no Paraguai - e ajudou a Intercement a deter 40% do mercado de cimentos do país vizinho.
No mês passado, a Riachuelo inaugurou uma fábrica de roupas em parceria com o empresário paraguaio Andres Gwinn, em um projeto que demandou investimentos de 5 milhões de dólares. Sob um acordo de exclusividade, a empresa brasileira forneceu maquinário e matéria-prima à unidade, que fica próxima ao aeroporto de Assunção. A fábrica emprega 300 funcionários atualmente, com previsão de ampliação para 1 200 até 2017. "A legislação paraguaia é muito amigável para a importação de matéria-prima, o que torna o nosso negócio competitivo", diz Flávio Rocha, presidente da companhia. "O Paraguai possui custos atraentes perto dos da China, e o tempo de reprodução é rápido." A fábrica tem capacidade para produzir 1 milhão de peças por ano.
A "diplomacia empresarial" só tem feito crescer nos últimos anos. Executivos brasileiros visitam o país em expedições realizadas quase todo o mês. A última, ocorrida no início de setembro, reuniu mais de 90 empresários e contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. No econtro, discutiu-se a possibilidade de construir um polo automotivo em Ciudad del Este.
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